A Família e Suas Configurações

Hoje, temos verificado o quanto a família, no que diz respeito à sua formação, tem apresentado diferentes configurações.

São aquelas chefiadas por mulheres que criam seus filhos sem auxílio dos pais; outras que tem nos avós os responsáveis pela criação das crianças; e cada vez mais comum são os homens que acabam recebendo a incumbência de assumir a guarda total dos filhos, muitos deles sem ter, sequer esporadicamente, a presença das mães. Não podemos esquecer que algumas famílias são formadas por outros parentes que acabam assumindo essa responsabilidade (tia, tio, irmãos mais velhos etc.). Vale lembrarmos também que algumas tem apresentado outras possibilidades como ter uma mãe, um pai, uma madrasta e um padrasto, já que aqueles que se separam, em sua maioria, acabam reconstruindo suas vidas afetivas. E porque não pensar também naquelas crianças que possuem dois “pais” ou duas “mães”?

Mas será que ao fugir do modelo que durante séculos representou sinal de normalidade, as crianças estariam correndo risco de ficarem traumatizadas e crescerem problemáticas?

Apenas quando pensamos dessa forma engessada é que essas diferenças podem se transformar num problema!

As crianças têm a capacidade de se adaptar; elas ainda não possuem os “olhos contaminados” e a pureza de sentimentos faz com que valorizem o amor, o carinho e as boas relações.

O “mundo adulto” é que geralmente busca situações idealizadas, e em questões de família, ainda hoje acaba tendo como referência o formato pai + mãe + filhos como única chance para a felicidade e saúde dos pequenos.

O grande problema é que com tanta diversidade na configuração das famílias, nosso dever é tentar trabalhar com o que temos de concreto. Idealizar só servirá para que, ao olharmos para determinada criança, sintamos pena ou lamentemos por ela não ter aquilo que pensamos ser sinônimo de felicidade garantida.

Mas se pudermos entender que o saudável é podermos encarar a realidade como ela é e fazermos dessa realidade a melhor possibilidade para aquela criança, ficará muito mais fácil não olharmos para os outros arranjos familiares como núcleo de traumas e infelicidade.

Dar amor, carinho, atenção, segurança, confiança, é muito mais importante! E essa é a função da família. E pensando dessa forma, esse papel a ser desempenhado pode ser exercido por qualquer um que se disponha a cumpri-lo com afinco.

Uma das questões para que hoje algumas escolas estejam adotando a Festa da família ao invés de uma comemoração para as mães e outra para os pais, é que por ela ser um espaço democrático, onde vamos estar em contato com uma gama enorme de formações familiares, privilegiar aqueles para quem a criança dedica seu amor, independente de nomenclaturas, é uma maneira de respeitar essas diferentes formações. Além disso, é oportunidade para mostrar aos pequenos o verdadeiro sentido da família – núcleo que não se forma em nossos corações seguindo modelos pré-estabelecidos, mas sim as pegadas do amor.