A Responsabilidade do Cuidar

mãe cuidandoO cuidar poderia ser dividido em vários aspectos: higiene, alimentação, escolaridade, vestimenta, repasse de valores, afeto etc. E no que se refere ao ato de cuidar, se voltarmos um pouco no tempo, seria possível ver que mães e pais não tinham as mesmas atribuições. Normalmente, o que estava ligado ao dinheiro (compra de alimentos, roupas, itens para higiene, escola etc.) era de responsabilidade dos homens enquanto o que envolvia hábitos, repasse de valores, de regras sociais etc. ficava a cargo das mulheres.

No entanto, os tempos mudaram e hoje, dificilmente encontramos uma mulher que fique apenas em casa no trato com os filhos enquanto o homem trabalha para pagar as contas e trazer alimento para a família. Então, se a mulher também está atualmente no mercado de trabalho, compartilhando com o marido o sustento da casa e dos filhos, por que não dividir entre ambos todos os aspectos do ato de cuidar? É injusto que a jornada dupla seja apenas para um dos lados!

No compartilhamento da educação dos filhos é muito importante que ambos (pai e mãe ou figuras que os substituam) possam sentar e conversar a respeito das diretrizes que vão seguir nessa árdua tarefa! Para isso seria preciso.

  1. Encontrar um meio termo entre aquilo que cada um acredita no que se refere aos hábitos, valores etc;
  2. Criar as regras da casa;
  3. Apresentar as regras básicas para as crianças;
  4. Permitir que cada momento seja uma oportunidade para educar, pois para isso não é preciso um horário específico; podemos e devemos educar as crianças em tempo integral.

E quanto a este 4º ponto, gostaria que nos detivéssemos para pensar um pouco a respeito. Muitas pessoas esquecem que educar, ou seja, preparar o sujeito moralmente, fisicamente e intelectualmente é uma ação contínua, quer dizer, deve-se fazer isso o tempo todo! Uma notícia na TV, uma situação vista na rua ou no parquinho do prédio,uma ida ao cinema ou mesmo ao banco; tudo isso pode ser convertido em oportunidade onde os pais irão mostrar aos seus filhos o que é certo e o que é errado, dando noção de valores e regras; o que é bom para sua saúde ou o que pode prejudicá-la; noções importantes que ajudam a desenvolver seu intelecto e também a noção de respeito ao próximo e aos bens alheios e comunitários.

São vários os exemplos que poderiam ilustrar essas oportunidades.Abaixo poderemos ver alguns:

  • Conversar com a criança, chamando sua atenção para as coisas que podem ampliar seus conhecimentos: “Um pai estava com seus filhos num parque florestal, e no bar deste local, ao se sentarem à mesa para tomar um suco, o mesmo mostrou aos seus 2 meninos o tipo de trabalho que revestia aquela mesa – ela era recoberta por um mosaico, de pedaços de azulejos, que formava uma flor.”
  • Ensinar a preservar o patrimônio público e privado: “No autoatendimento dos bancos, quando a criança quiser ficar apertando todos os botões do caixa eletrônico, informar que isso pode estragar o aparelho e que prejudicaria outras pessoas que quisessem usá-lo depois.”
  • Dar espaço para diálogos reflexivos: “Frente uma notícia onde pessoas estão agredindo fisicamente, desrespeitando outros seres humanos – como no caso dos black blocs – poder mostrar o quanto é “feio” agredir e desrespeitar nossos semelhantes.”

Com esses exemplos, é possível imaginar a quantidade de situações que todos os dias se apresentam à nossa frente e que podem ser usadas como meio de educar as crianças. Basta que estejamos atentos e dispostos a isso!

Voltando ao 2º item, o da criação das regras da casa (ou da família), é muito importante que elas sejam ÚNICAS, ou seja, usadas tanto pelo pai quanto pela mãe. Essas regras serão parâmetros para a conduta das crianças e se cada parte tiver regras diferentes, os filhos se sentirão perdidos, não saberão realmente o que esperam deles, o que é certo e errado e tudo ficará muito confuso! Por isso, a necessidade de adesão de ambos às regras criadas conjuntamente!

Outro ponto importante a se pensar nesse compartilhamento da educação dos filhos é a questão da desautorização. Como já vimos antes, é essencial que as regras sejam únicas e que tanto pai quanto mãe as façam cumprir. Mas às vezes um deles acaba achando que o que exige todas as regras de seus filhos está sendo um “carrasco”, está sendo “mau” e por “pena” das crianças, acaba desautorizando aquele que estava apenas exigindo que se cumprisse o combinado! Isso é extremamente prejudicial, pois reforça o comportamento errado da criança além de mostrar a ela que não precisa obedecer àquele que está sendo desautorizado. Quando essa postura, de uma das figuras parentais, se torna freqüente, a criança vai criando uma resistência cada vez maior em enxergar aquele que é desautorizado como uma figura de autoridade. Por isso, discordâncias nas atitudes de pais e mães devem ser discutidas posteriormente para que não haja desautorização. Mas essa conversa entre os pais deve acontecer apenas entre osdois, nunca na frente dos filhos!

Como pudemos refletir nesse texto, o cuidar é uma tarefa complexa, que exige muito dos responsáveis pela criança. Mas também é algo muito prazeroso, pois representa prepará-la para a vida! Executar bem esseencargo é algo essencial para que possamos criar filhos saudáveis. Sabemos que, como seres humanos, vamos falhar em muitos momentos, mas por este motivo, é importante dedicarmos alguns instantes de nosso dia para refletirmos acerca dessa tarefa, para avaliarmos como a estamos executando e termos tempo de aparar arestas.Espero que estesminutos de leitura tenham podido contribuir para que essa reflexão aconteça!