Ausência Dos Pais, Como Isso Afeta os Filhos?

Hoje, a palavra tempo é muito usada e normalmente relacionada a algo insuficiente, que as pessoas não possuem ao pensarem nas tantas coisas que existem para fazer. Mas em que isso tem relação com o tema do nosso texto deste mês?

Pais que se sentem sem tempo, buscam de alguma forma – quando podem – um refresco nas tantas atribuições que possuem (trabalho fora do lar, afazeres domésticos, estudo…) e ao estarem em casa ou mesmo indo fazer um passeio, desejam relaxar! Só que nessa busca por relaxamento, pais estão se utilizando de substitutos para entreter seus filhos e é aí que as mídias entram na história!

Tanto as velhas quanto as novas como tv, computador, videogame, tablet e celular possuem um lado positivo na vida de todos nós. Podemos até mesmo dizer que são necessárias no mundo atual, pois através de muitas é possível aprender, estudar, desenvolver habilidades e ainda se aproximar das pessoas que não temos tempo de encontrar e as que a distância física não permite encontrarmos frequentemente. Mas é necessário também pensar o que as mesmas representam numa rotina de pais atarefados, cansados, pouco resistentes, medrosos ou com sentimento de culpa. Essas mídias estão entrando para ocupar um espaço vazio!

Servem então, como substitutas desses pais, que cansados, querem tempo para si. Para entreter e fazer com que as situações que possam requerer posturas educativas não precisem “aparecer” – afinal, com o tablet na mão a criança não vai correr pelo salão enquanto a mãe ou o pai faz as unhas, a criança não vai gritar e bagunçar no restaurante… Pena que também não aproveitará uma grande oportunidade de aprender como se comportar nesses locais e ocasiões! Servem para compensar a criança, e com isso diminuir o sentimento de culpa dos pais por não terem o tempo disponível que acham que deveriam ter. Servem para auxiliar aos pais que mostram pouca resistência para executar a tarefa árdua de educar, pois é mais fácil num momento de choro por contrariedades entregar uma mídia do que ter que explicar e/ou ensinar uma outra conduta para a criança. Todos esses substitutos tem serventia quando os pais ao tomarem uma decisão, que sabem ser a correta, mas que frustra a criança fazendo com que ela chore ou faça birra, se utilizam dos mesmos como uma maneira de fazer cessar as lamúrias do(o) pequeno(a), pois mostram-se pouco resistentes a tolerarem o que faz parte do mundo infantil (choro) e do trabalho de educar. As mídias chegam para “comandar” o espaço ocupado pelo medo de alguns pais, de exercerem sua autoridade; medo esse que vem da insegurança de perderem o amor dos filhos caso os contrariem (mas que sabemos bem que não representa a realidade, já que toda criança na verdade busca o limite, pois uma educação sem ele pode ser entendida como inconsequência ou mesmo negligência desses pais).

É preciso lembrar que as mídias muitas vezes isolam a criança e para ela é importante aprender em contato com o outro; é na relação que tudo pode acontecer (com o improviso que o estar com alguém pensante proporciona). Ali é necessário lidar com a interpretação que o outro faz do que eu digo ou de como eu ajo; com a reação que esse outro tem, e que eu mesma posso ter, frente as situações que aconteçam; lidar com as ideias contrárias às minhas, com personalidades diferentes, com a frustração que posso causar no outro e também as frustrações que posso vivenciar a partir dessas relações. Portanto, o estar isolado acaba permitindo que essas trocas e esses aprendizados fiquem prejudicados. O isolamento fragiliza porque a pessoa não tem experiências de vida para aprender e se fortalecer. E essa fragilidade assim como a negligência (abandono) e a falta de trocas positivas com a família acabam por criar um processo de vulnerabilidade na criança e no jovem. Vulneráveis, esses filhos estão propensos a problemas emocionais, comportamentais e também transtornos mentais.

Por isso, SEJAM PAIS PRESENTES! “DE CORPO E ALMA”!! E saibam usar de forma adequada aquilo com que a modernidade nos presenteou. O problema não está nas mídias em si, mas o mal uso que pode ser feito delas!

Até o próximo mês. Um forte abraço, Ane Dantas Sartori Psicóloga – CRP 05/39333