Escola Inclusiva

No texto deste mês, vamos fazer uma reflexão acerca do desafio e do aprendizado que tem sido para todos a escola inclusiva!

Sendo ou não pais de alunos de inclusão, este é um tema que afeta cada um de nós, que envolve a todos.

A proposta da inclusão é:

    • Trazer para o convívio social essas crianças que anteriormente ficariam em casa ou à parte, em escolas especiais, convivendo apenas dentro de um “mundo” restrito;
    • Oportunizar o aprendizado formal junto aos demais alunos; permitindo vivências que se assemelham nesse micro espaço escola – o que vivenciarão no macro durante toda a vida adulta.

Os ganhos para essas crianças inclusivas vão dar conta justamente dessa possibilidade de contato diário com os demais alunos ao invés do isolamento; as classes especiais já foram um ganho em seu momento porque colocavam num mesmo prédio todos os alunos, permitindo ao menos a relação nos espaços comuns, mas hoje é possível mais! Da aprendizagem da convivência como qualquer criança; do aprendizado formal, possibilitando o conhecimento (adaptado ou não).

Os ganhos para os demais alunos envolvem a questão da sensibilização, do olhar para o diferente. Ter a percepção de que não somos todos iguais, que é necessário acolher/auxiliar os que precisem.

Ex: empurrar um cadeirante; recolher o material para um aluno impossibilitado de locomoção e tantos outros exemplos.

Tudo isso traz a chance de desenvolver nos futuros adultos uma preocupação com um mundo mais inclusivo. Também a oportunidade de ter o aprendizado de outras habilidades; ver que através dos outros sentidos podemos aprender – como um deficiente visual que se utiliza e desenvolve muito mais o tato, a audição do que nós; que obstáculos são superados através de uma maneira que pra nós pareceria inviável (como escrever com os pés).

A criança e o diferente

A criança é muito questionadora, ela pergunta, quer entender o porquê das coisas, e isso faz parte da sua sede do saber. Ela é espontânea, fala o que pensa, porque ainda está em maturação o córtex pré-frontal que fará o controle inibitório. E assim como as crianças possuem essas características, também são “plásticas”, se moldam, se acostumam com várias realidades, convivem com mais naturalidade com as deficiências por mais que possam fazer comentários e serem curiosas nas suas perguntas! Acolhem, são solidárias, e quando estimuladas então! Em nossa escola tivemos e ainda temos vários exemplos de como esse acolhimento é real, puro, de muita compreensão, amor!

TRATAR COM IGUALDADE É JUSTAMENTE GARANTIR O RESPEITO ÀS DIFERENÇAS

Este é outro ganho para os alunos inclusivos, visto que dar o aprendizado formal e garantir seus direitos de igualdade é atendê-los de forma diferenciada, dentro de suas necessidades especiais. Então, trabalhos diversificados, adaptados bem como provas e conteúdo diferenciados, podem ser algumas das estratégias permitidas para que essas crianças possam gozar desses direitos sendo respeitadas nas suas limitações e/ou necessidades.

Não podemos esquecer que dentro desse contexto, existe alguém importantíssimo que é o professor e que nas condições atuais, ainda enfrenta grande desafio para lidar com essa escola inclusiva. A formação ainda é deficitária mesmo que atualmente haja disciplinas que comecem a trazer esse tópico para discussão. As escolas também não estão de todo preparadas para essa tarefa… Mas a palavra chave é ter boa vontade porque com boa vontade nos colocamos dispostos a aprender, questionar, dialogar, criar e tudo isso é primordial quando pensamos na inclusão.

Um aspecto importante, que pode ser um ponto de auxílio, ou de problemas maiores, é a família. Sabemos que esse núcleo já passou, até chegar à escola, por situações difíceis pela questão da deficiência ou do transtorno que acomete seu filho e por tanto, cheio de temores, dúvidas, inseguranças e muitas vezes falta de confiança. Tudo isso é compreensível. As dificuldades são muitas, realmente. Mas a família precisa tentar ver a escola como sua aliada! Trabalhar junto a ela. É compreensível que tenha medo da exclusão; muitas vezes já vivenciaram isso em outro espaço escolar, de ter seu filho sem a atenção necessária, mas a escolha do colégio precisa ser também um ato de confiança.

Ainda em relação à família, é importante levantarmos algumas questões que podem fazer com que o trabalho com a criança na escola seja dificultado. Isso tem a ver com aceitação. Vivenciar a questão do nascimento de um filho com necessidades especiais ainda é, pra nossa sociedade, uma experiência difícil, somos acostumados a esperar um filho que venha “perfeito”, sem nenhuma dificuldade, que “não saia do script”. E lidar com essa realidade não esperada, para uns é muito dolorosa e difícil de aceitar. Mas a primeira coisa que devemos ter em mente é que a não aceitação fará com que tudo seja mais penoso, não só para as pessoas da família em questão quanto pra própria criança e para aqueles que trabalhem com ela. Não podemos tampar o sol com a peneira; encarar de frente as diferenças e não negá-las é o primeiro passo para que possamos realmente ajudar o desenvolvimento das crianças inclusivas. E se a família omite qualquer dado importante isso pode prejudicar ou retardar os resultados a serem conquistados no trabalho escolar.

Uma outra atitude prejudicial é quando a família decide encarar a criança como alguém passível de se ter pena. Isso não ajuda em nada, pelo contrário, prejudica muito porque geralmente há uma atitude dos familiares de quererem fazer tudo pela criança, deixando que fique dependente, o que é muito ruim para seu futuro. Muitas vezes querem que a criança seja tratada de forma extremamente diferente em situações em que não cabe esse tratamento diferenciado. Isso também não é benéfico. Os direitos devem ser assegurados dentro do que já falamos sobre a questão do garantir respeito às diferenças, mas isso não quer dizer que não tenham seus deveres também… O que realmente auxilia muito é o apoio incondicional; através dele a família irá buscar tudo o que estiver ao seu alcance para ajudar a escola a desenvolver as potencialidades do aluno inclusivo. Compreender as orientações que o colégio der em relação ao trabalho que está sendo feito e o que pode ser complementado em casa; recorrer a terapias que vão dar suporte ao desenvolvimento da criança e também servir de coadjuvante nesse processo juntamente com a escola, é o que será essencial.

Dessa forma, é perceptível que nem sempre é fácil para o colégio lidar com a família, mas se esta se une ao colégio, a possibilidade de que o trabalho seja promissor, aumenta muito. Como dito anteriormente, a confiança é a base para o trabalho que ambas (família e escola) desenvolverão juntas. É importante também que tanto a família quanto a escola acreditem que estão fazendo o melhor para a criança, e nesse aspecto, a família precisa procurar um ambiente escolar que lhe passe essa segurança.

No que diz respeito aos demais profissionais que trabalham com o aluno de inclusão (médicos, fonoaudiólogos, psicólogos, neuropsicólogos, terapeutas ocupacionais etc.), é essencial que tanto a família quanto a escola abram a possibilidade de diálogo com eles. É necessário e importantíssimo que os profissionais escolhidos pela família estejam disponíveis ao compartilhamento de informações e a disponibilidade de contato com o colégio. Essa troca proporciona maior detalhamento do progresso e comportamento da criança em vários ambientes diferentes, o que contribui para prognósticos e/ou mudanças nos tratamentos assim como troca de ideias a respeito do que cada área pode dar de contribuição ao colégio para auxiliar no trabalho pedagógico diário com a criança. Para isso, a escola também precisa estar aberta para informar sobre o desenvolvimento da criança aos profissionais que a acompanham. Além disso, tirar as dúvidas da família quanto à forma de trabalho com a criança e a resposta dela aos trabalhos propostos é parte dessa construção de relação de confiança. Quanto à família, é preciso comparecer sempre que solicitada pela Direção/Coordenação ou outro setor do colégio já que os estabelecimentos educacionais só costumam chamar os pais quando há uma necessidade real; buscar os acompanhamentos (como já mencionado) ou mesmo novas avaliações que possam garantir o desenvolvimento pleno da criança e dar retorno dessas avaliações e/ou acompanhamentos através de relatórios, laudos.

Para concluirmos esse texto, vale ressaltar que a escola inclusiva precisa estar disposta a este desafio, nosso olhar precisa estar atento para que o exemplo que as crianças tenham dentro do ambiente educacional seja um ponto de luz no futuro para que possam pensar mais e melhor sobre a condição dos portadores de necessidade especiais.

Até nosso próximo mês!

Ane Dantas Sartori

Psicóloga – CRP 05/39333