O Componente Plus no Cuidar IV

Nesta parte final do componente plus no cuidar, a atenção será o nosso foco. Mas o que ela significa dentro desse contexto?

É possível que, nossa disponibilidade interna para compartilhar momentos junto a esses seres sob nossa responsabilidade seja muito grande ou quase nenhuma. Essa disponibilidade é que permite com que demos atenção aos nossos filhos.

Muitos pais julgam que dar atenção seja suprir questões alimentares, escolares, de vestimenta e moradia, mas a verdade é que a atenção quer dizer muito mais. Ela dá conta de: ter tempo para estar junto, conversar, brincar, interagir, valorizar, conhecer.

O ritmo de vida que hoje enfrentamos, muitas vezes fazem com que os pais se fatiguem com as responsabilidades laborais (carga horária de trabalho, locomoção – enfrentando vários engarrafamentos) sobrando pouco tempo do cotidiano para estarem com a família. A visão (mega individualista) que assola nossa sociedade e faz de muitos seres pessoas extremamente egoístas, também é um dos motivos que trazem dificuldade em dar atenção aos filhos.

É primordial que a escolha de ter ou não crianças (sejam elas biológicas ou adotadas) seja bem avaliada pelos pais. Encarnar esse papel pressupõe alguns pré-requisitos que precisamos ver se possuímos e se estamos dispostos a cumprir. Pressões sociais não devem estar na base da decisão de ser ou não ser pai (mãe). Essa escolha precisa vir de dentro de nós!

É verdade que vamos pensar nesse momento em alguns exemplos que com certeza conhecemos, de pessoas que aparentemente nem queriam ser pais e que frente à necessidade de sê-lo, realizaram essa tarefa de forma exemplar; mas com certeza também não faltarão outros exemplos que dão conta do contrário.

A realidade é que ser pai ou mãe é ter capacidade de enxergar, ou de se enxergar, em 2º plano durante um tempo de nossa vida, abdicar de alguns objetivos ainda que momentaneamente, ter em foco algo para além de nosso próprio umbigo! É lógico que não estamos aqui fazendo apologia ao esquecimento de si próprio, até porque mais adiante vamos pensar um pouco nas consequências desse tipo de situação, mas sem dúvida alguma, ter filhos requer uma maturidade que envolve saber “perder”, saber abrir mão. Ex: um pai motoqueiro terá que entender, ainda que não deixe de ser motoqueiro, que um carro é muito mais importante para a família do que uma moto! Talvez seja preciso trocar de veículo. Uma mãe baladeira não precisa deixar de gostar de barzinhos, mas sereno, barulho em excesso e altas horas, não são companheiros de uma criança!

Enfim, poderíamos citar “n” exemplos, mas cada um de nós compreende com estes colocados aqui, que o importante de tudo isso é saber que temos pessoas (no diminutivo ainda) que precisam de nós, dos nossos cuidados, de trocar conosco, de criar vínculos positivos e para isso, se faz necessário olharmos para o lado e não mais enxergar apenas a nós mesmos.

Com a rotina tão apertada da atualidade, é preciso criar estratégias para que consigamos otimizar nosso tempo e dar conta de nossos compromissos com a casa, com o trabalho e principalmente com os filhos. Talvez seja mais produtivo que, ao chegar em casa, demos um pouco de atenção aos pequenos, que os coloquemos para dormir mais cedo para somente depois termos condições de fazer o que seja necessário em relação ao trabalho ou tarefas de casa. Tentar fazer tudo isso junto, faz com que nada saia bem no fim das contas.

Muitas vezes, fica muito difícil saber o que fazer ou como fazer essa divisão. Um psicólogo pode ajudar a montar uma rotina que viabilize, pois ele escutará as particularidades de cada família, auxiliando nesse programa de maneira bem personalizada. Mudar nunca é fácil, mas frente ao caos que às vezes a vida da gente se transforma, não há outra saída.

Excesso de atenção também não é saudável. Tudo de menos ou de mais causa certo desequilíbrio e com isso, consequências não tão saudáveis. É preciso que os filhos entendam também que os pais tem necessidades pessoais, que não podem estar 24h à disposição deles, que há momentos em que terão que brincar sozinhos, que não poderão ver TV juntos, que sequer poderão sair juntos. Isso também é saudável, também é preciso senão acabamos causando uma necessidade extrema da nossa presença, que beira a dependência emocional e isso dificultará a entrada na escola, muitas vezes a relação com os coleguinhas e as futuras relações.

O bom senso deve sempre embasar, ser o dosador de nossas atitudes, mas como sabemos que a autocrítica às vezes não acontece porque é difícil enxergarmos em nós mesmos os equívocos, é bom estarmos atentos às sinalizações que nos são feitas pelos familiares, por amigos de confiança, pela escola! Quem está de fora, por vezes, consegue visualizar melhor alguns pontos que não percebemos.

Então, desses quatro textos sobre o componente plus que lemos nos últimos meses, fica claro que as crianças crescerão inexoravelmente, mas o é que precisamos prestar atenção! E continuaremos juntos nessa empreitada, refletindo acerca da tarefa de educar!

Até nosso próximo texto.

Um forte abraço!