O Componente Plus no Cuidar

Toda criança, desde o nascimento, para crescer, se desenvolver e estar livre de doenças precisa da amamentação adequada, dos cuidados de higiene e das vacinas. Mas há um nesse cuidar que não se refere ao físico, mas que sua falta pode ser sentida nele ainda muito cedo – são o amor, o carinho, a atenção e o toque!

O amor seria o sentimento, aquilo que levamos dentro de nós, mas que pode não estar explícito. O carinho seria uma forma de expressar esse sentimento, através do olhar, cuidados dispensados, tom de voz e conteúdo da fala. A atenção seria doar tempo para estar junto, para conhecer, para dividir – compartilhar momentos. E o toque seria talvez o mais físico de todos os 4 no entanto, extremamente significativo emocionalmente!

É para refletirmos um pouco sobre qual é o nosso papel e responsabilidade em toda essa questão que estamos juntos aqui. É sobre esse componente plus que falaremos neste e nos próximos textos; do quanto marcam a vida das crianças e sem dúvida seu desenvolvimento físico também.

Cada vez mais a medicina nos fala a respeito do quanto o lado emocional influencia nosso corpo. A ligação deste estado com a imunidade é um exemplo e já serve para nos colocar em alerta.

Alguns estudos científicos dão conta de ressaltar o quanto o toque no corpo do bebê é importante para a criação de conexões neuronais que farão com que seu cérebro se desenvolva mais e melhor. Portanto, podemos começar a delinear a importância que este  plus  pode representar na vida das crianças – esses seres aptos a absorver do mundo o melhor dele se formos capazes de lhes ofertar isso.

Cada momento da nossa vida abarca uma série de questões que fazem com que cada um desses momentos seja diferente. Então, ser mãe ou pai é uma experiência além de individual também referente a uma época da nossa vida. Nunca se vivência a maternidade ou paternidade da mesma maneira a cada nascimento de um filho porque o contexto do momento não é igual! Dentro dessa perspectiva, a questão do amor também pode se modificar. Enquanto alguns bebês são extremamente desejados outros não tem a mesma realidade (são frutos de um relacionamento fracassado ou de um parceiro não desejado ou de uma aventura de verão; ou são concebidos numa fase da vida em que não se almeja essa vivência). Com tudo isso, essas experiências serão fatalmente diferentes e muitas vezes influenciarão o sentimento nutrido por este novo ser.

A questão é que o amor que sentimos é uma “chave” para que todo o resto possa acontecer. Em muitos casos, estamos cheios de amor pra dar, mas é esse ato de “dar” amor que precisa ser melhor trabalhado, pois há dificuldades em expressar esse sentimento. Em outros, é o egoísmo e individualismo que podem atrapalhar essa expressão, pois se quando amamos nos preocupamos e queremos o bem do outro, precisamos saber fazer concessões. Ao se tratar de filhos, desse tipo de relação (parental), as prioridades passam a ser outras e não deveria haver lugar para egoísmo. Os pais precisam saber que durante um tempo existirão outras prioridades que não suas próprias questões e que elas vem das necessidades dos filhos – esses seres que dependem tanto dos pais para as mínimas coisas. Por tanto, vemos que ter o sentimento é fundamental, mas que o tendo, é preciso saber como vivenciá-lo e externá-lo no dia a dia.

Através do carinho – que não é só abraçar, beijar, mas muito mais do que isso – temos uma das maneiras de expressar esse amor. Os cuidados que vamos dispensar aos filhos é uma dessas formas e sabemos que déficits ou exageros podem “azedar” essa mistura!, mas sobre isso trataremos no nosso próximo texto.

Um forte abraço!

Ane Dantas Sartori

Psicóloga CRP 05/39333