Sexualidade Parte II

Neste 2º texto da série, vamos abordar um ponto importante que diz respeito à cultura e sua relação com a sexualidade. Para isso, precisamos pensar primeiramente como as crianças aprendem. De forma simplista, podemos dizer que elas aprendem e experienciam o mundo e tudo o que há nele, através de modelos e da imitação.

Seguindo essa ideia, sabemos que as crianças vão entendendo o que tem a ver com o “mundo masculino” e o “mundo feminino” de acordo com o que pais, mães, família em geral e toda a sociedade vão impregnando seus sentidos. Por isso, vivências, exemplos vindos de diversos meios (tv, revistas, músicas, relações interpessoais) vão moldando o entendimento dos pequenos quanto ao que é ser masculino e feminino em nossa sociedade. Com isso,

O segundo ponto no qual podemos nos deter diz respeito à qual é a visão que hoje estamos passando para nossas crianças em relação à 

sexualidade x masculino/feminino

Dentro de uma sociedade ainda machista, apesar de alguns avanços terem existido, o papel exercido pelo homem (masculino) na questão da sexualidade é de “soberania” em relação à mulher (feminino). Neste momento, muitos irão pensar que essa colocação não é real já que atualmente as mulheres tem maior liberdade do que no tempo de nossas avós ou bisavós, mas se analisarmos a questão mais profundamente, vamos nos dar conta de algumas nuances que podem mudar um pouco essa visão de que a mulher está numa outra posição. Eu me arriscaria a dizer que apesar de tantas mudanças, que chamaria de “externas”, no âmago da questão, tudo continua igual. Nessa perspectiva, a mulher continua sendo colocada como um objeto de degustação e a diferença que vejo daqueles tempos idos para hoje, é que a mulher de forma geral, não está sendo colocada apenas pelo “mundo masculino” nesse fatídico lugar; ela própria se coloca nessa posição desfavorável.

Em que pese todos os avanços desde o início do movimento feminista, a violência contra a mulher tem crescido (ou permanecido muito alta, já que alguns opinarão que se percebe esse aumento dos casos em função de existirem atualmente mais denúncias deste tipo de violência).

É público e notório que programas, os meios de comunicação em geral e até as músicas, fortalecem essa visão de mulher objeto, através de apelidos, roupas, coreografias etc. que reafirmam esse papel.

Mas o que toda essa questão tem a ver com nossos pequenos e pequenas? Tudo!

Logo no princípio deste texto, vimos que crianças aprendem por modelos e imitação; com isso não é difícil entendermos a relação deles com que foi abordado nos parágrafos anteriores.

Devemos lembrar que a sexualidade é muito mais do que sexo (cópula), no entanto o que nos chama a atenção é o quanto nossa sociedade sexualiza (pensando no ato em si) danças e músicas que são repetidas pelas crianças, incorporando no seu dia a dia o que deveria estar apenas no mundo adulto.

Se eu lançasse aqui uma pergunta, tenho certeza que a resposta dada seria um contundente NÃO!

Você deixaria seu filho pequeno ver um filme pornô?

Então, o questionamento que devemos nos fazer é: Por que hoje deixa-se com tanta facilidade que as crianças sejam expostas ao que costumo chamar de “pornô auditivo”?

Todo esse estímulo voltado para o sexo em momentos da vida em que não se tem discernimento e maturidade suficientes para compreender o que significam simbolicamente, é prejudicial às nossas crianças e criam deturpações que irão influenciar sua visão futura; ajudando a perpetuar também essa diferença tão cruel que existe ainda nos dias atuais entre o masculino e o feminino (entre o homem e a mulher) e que sob certo aspecto acaba legitimando tantas atrocidades cometidas contra o “sexo frágil”.

É muito importante que estejamos o tempo todo atentos. A vida conturbada, repleta de compromissos que vivemos hoje, acabam deixando pouco tempo para que reflitamos sobre o que vemos, ouvimos no nosso dia a dia. Mas quando estamos criando crianças, se fazem necessárias reflexões constantes que nos permitirão questionar o que nos lançam através da mídia (de todos os tipos), das relações interpessoais, para que possamos avaliar aquilo que é válido, e o que não é, para fazer parte da vida dos pequenos e pequenas.

No mês que vem, continuaremos abordando a sexualidade, trazendo mais alguns cuidados que devemos ter para não expormos as crianças ao que não faz parte de seu mundo infantil e que pode atrapalhar seu desenvolvimento sadio.

Até lá!

Ane Dantas Sartori

Psicóloga – CRP05/39333