Valores Parte I

Durante dois meses vamos falar a respeito de valores. Eles são o conjunto de características que determinam a forma como devemos nos comportar e interagir com o meio e com os outros.

Atualmente, estamos vivendo o que se chama de uma crise de valores, onde estes, que ajudam na harmonia das relações, tem sido de alguma forma encobertos. O egoísmo, o individualismo, a violência e a maldade estão dirigindo nossas interações com o outro e com o meio ambiente; isso faz com que seja necessário trabalhar em nossas crianças aquilo que precisamos para uma vida futura diferente! Como num jardim, regar as sementinhas para que cresçam e floresçam é urgente.

Nosso projeto escolar deste 2º semestre de 2017 se baseia justamente nessa tarefa de levar nossos alunos a refletirem através de diversas atividades sobre os valores que elencamos como essenciais para que haja em nossa sociedade uma vida mais harmônica. E é através desses valores que construirei esses 02 textos, divididos em Parte I e II.

Parte I

Honestidade: qualidade de ser verdadeiro; é não enganar, não fraudar, não omitir; repudiar a esperteza.

No nosso dia a dia, é ter cuidado com pequenas atitudes como não incentivar e nem deixar que a criança fure a fila do brinquedo na casa de festa para andar mais rápido; é também enquanto adulto, não dizer coisas para a criança, na loja de brinquedos por exemplo, onde ela está pedindo algo que você sabe que não comprará, só para engambelar e poder “sair de fininho”.

Sinceridade: fraqueza, transparência consigo e com o outro; saber se posicionar (não ir conforme o barco te leva); ser verdadeiro.

É poder demonstrar o que sente frente a algo que a criança fez – se for algo bom, mostrar felicidade e se for algo ruim, mostrar descontentamento. É não modificar parâmetros só porque a mãe do coleguinha permitiu que o filho dela fizesse algo que se julga inadequado. É também deixar claro para a criança o que se espera dela, dando assim um norte para que saiba como se comportar.

Cooperação: ajudar a outrem a alcançar um objetivo comum com pensamento no coletivo.

No dia a dia, enquanto casal, trabalhar juntos nas tarefas de cuidar e educar as crianças. Nada de um ficar deitado no sofá enquanto o outro fica assoberbado com as obrigações! É mostrar que se a casa está bagunçada, por que não montar um mutirão?! Um dos pais lavando a louça, o outro botando roupa na máquina, o filho pequeno arrumando os brinquedos, o mais velho guardando as roupas já limpas e assim por diante…

Companheirismo: convívio cordial, verdadeiro, rumo a um mesmo propósito.

É não ter um dos pais ensinando a revidar quando um coleguinha bate enquanto o outro ensina a dialogar. É preciso alinhar os objetivos dos pais. É não desautorizar um ao outro. É ajudar ao filho a fazer o dever com paciência porque o propósito é ver a criança se desenvolvendo e ela também deseja se desenvolver!

Amizade: relação de afeição, apreço, cuidado entre as pessoas.

No cotidiano, é procurar saber porque a criança está hoje com uma carinha triste; perguntar como foi a brincadeira na casa do colega; escutar quando quer conversar – mesmo o adulto estando doido para ver o jornal – porque se essa conversa não for agora não será mais, pois pelo adiantado da hora que se chega em casa do trabalho e a necessidade dos pequenos de dormirem cedo, não existirá outro momento de trocas. É também fazer um passeio voltado para a faixa etária da criança e não ficar sempre querendo que ela goste de ir ao shopping badalar em lojas como um adulto!

Lealdade: fidelidade àquilo que assumimos para com os outros e com a gente mesmo; retidão.

O mundo pode querer te “carregar”, mas se você for leal a si mesmo, não se desviará do caminho. É não achar o máximo – e nem incentivar – a criança morder todo mundo só porque ela foi mordida; se achou ruim ela ser mordida como incentivar que também aja errado?!

Continua no próximo mês…

  Ane Dantas Sartori

Psicóloga – CRP 05/39333