Volta às Aulas!

Pensando um pouco nesse momento de retorno ou mesmo de iniciação às aulas escolares, nada melhor do que falarmos um pouco sobre expectativa, confiança, persistência e tudo o mais que permeia essa (re)entrada à escola.

Todo início de ano é, de certa forma, para todos os alunos – novos ou antigos – uma adaptação. Os novos, pelo fato de ainda não conhecerem a rotina escolar, as pessoas, os espaços… Os antigos, pelo fato de existir nesse retorno uma gama de mudanças que vão desde mudanças externas: troca de professor, entrada e saída de outros alunos, novos desafios curriculares… e internas: que dizem respeito a deixar o seio familiar – se afastando de genitores e/ou cuidadores – de retomar rotina de horários mais rígidos, se relacionar com novas pessoas… E os pais nesse momento, terão papel fundamental para que essa etapa possa ser vencida!

Mostrar os benefícios desse espaço, trazendo para a criança os pontos positivos que (re)encontrará na escola é uma forma de incentivar a que ela possa buscar esse mesmo ponto de vista afinal, na vida tudo é uma questão de ponto de vista!

Demonstrar confiança na escola e nos profissionais também é essencial para que a própria criança se sinta bem e confiante.

Cumprir os combinados e regras da escola é um fator que conta para que a criança se sinta bem no ambiente escolar. O uniforme, como o próprio nome sugere, serve para uniformizar, tornar todos iguais, e isso dá a sensação de pertencimento ao grupo. A questão da merenda também é um quesito que não pode deixar de ter sua importância nesse local, pois um lanchinho gostoso, saudável, enviado de forma higiênica é uma demonstração de cuidado que a criança percebe; e não se esqueça que para algumas a comida é uma fonte de ligação com a família – momento que pode trazer boas lembranças desse núcleo momentaneamente ausente da vida dela e que acaba funcionando como uma espécie de “aconchego”. O envio de uma muda de roupa – ou várias, dependendo da situação e idade da criança – ajuda muito a que se sinta bem caso venha a acontecer um escape de xixi ou cocô, ou mesmo qualquer outro tipo de intercorrência.

O envio do material individual solicitado pelo colégio, de objetos pedidos pela professora para certas atividades pedagógicas podem ajudar a que vá se sentindo valorizada juntamente com a percepção do valor que é dado à escola. Todas essas ações mencionadas, são uma pincelada do que é possível para a família fazer com o intuito de auxiliar a criança nesse espaço no qual ela passa pelo menos 4h 30min por dia!

É válido ressaltar que é super benéfico que qualquer problema ou questão observados pelo adulto, que o façam se sentir inseguro com relação à escola, sejam levados às pessoas responsáveis pela equipe, pois sanar dúvidas e mal estares pode ser a chave para que essa relação se mantenha como uma relação de confiança (essencial pelo que já comentei em outro momento deste texto).

Sobre adaptação, é importante termos em mente que esta é um processo de integração e nenhuma integração passa despercebida para o emocional da pessoa. Existem diferenças nas adaptações; às vezes nos adaptamos facilmente a algumas coisas e mostramos um pouco mais de resistência a outras. Isso faz parte do arcabouço de experiências de cada um e por isso, nenhuma adaptação escolar pode ser medida de maneira totalmente padronizada. É certo que se trabalha com uma média, mas casos específicos devem e são avaliados de forma específica. Mas a família é sempre uma peça muito importante nessa fase, pois ela pode impulsionar ou não a que essa adaptação ocorra de forma mais rápida – ainda que respeitando o tempo de cada um – e porque não dizer, menos dolorosa também em alguns casos. Portanto, ficar atento às dicas dos profissionais da escola é uma boa medida para que a família consiga ajudar nesse processo. Enquanto familiar, às vezes não enxergamos tão bem a situação por estarmos emocionalmente envolvidos e “mexidos”; o profissional escolar está mais habituado a vivenciar essas situações e também se encontra distanciado emocionalmente, o que faz com que consiga ter uma melhor percepção da situação. Então, esteja sempre aberto a trocar com ele. E lembre-se, distanciamento emocional não quer dizer indiferença emocional! O profissional sabe, conhece e entende “as dores” desse período, mas tudo o que sugere vem de encontro a justamente minimizar esse sofrimento que algumas adaptações trazem. Então, não desanime, seja persistente, as coisas irão melhorar! O colégio está como um parceiro e como tal, sempre orientará o melhor para a criança, mesmo que essa orientação seja o aguardo de um outro momento na vida da criança para o ingresso escolar ou mesmo uma mudança de horário ou até de unidade, visando uma proposta pedagógica mais adequada à criança.

E para finalizar, vale lembrar que as expectativas dos pais devem ser também controladas de uma certa forma, pois elas podem gerar um processo de ansiedade na criança – sejam expectativas em relação à adaptação, sejam em relação ao desenvolvimento na parte pedagógica. Bom, espero ter conseguido ajudar!

Um bom início de ano letivo a todos.

Um forte abraço, Ane Dantas Sartori Psicóloga – CRP 05/39333